Você tem medo de vasectomia? Vasectomia é um método de contracepção muito seguro, e seu desempenho sexual não vai ser prejudicado após a cirurgia gplus
   

Você tem medo de vasectomia?

Vasectomia é um método de contracepção muito seguro, e seu desempenho sexual não vai ser prejudicado após a cirurgia

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Vasectomia é uma prática comum de esterilização voluntária masculina existente desde o final do século XIX, mas que se polarizou e ganhou força nos anos 1960. Apesar de ser caracterizada por médicos como uma cirurgia simples, muitas dúvidas e mitos ainda rondam o procedimento. Por isso, o AreaH foi conversar com urologistas e tirar dúvidas sobre o tema.

Primeiro é importante saber que a vasectomia é uma cirurgia, realizada normalmente na própria clínica do médico, em que são interrompidos os canais deferentes. Esses canais ligam os testículos, onde são formados os espermatozoides, à uretra.

Anestesia
Como já dissemos, a anestesia é local e feita com uma pequena agulha, parecida com a utilizada por diabéticos para aplicar insulina. Mas, os próprios médicos reconhecem que pode haver certo desconforto em ser anestesiado com uma agulha na região dos testículos. Então, há opções menos incômodas. O urologista Eduardo Bertero utiliza em seus pacientes um aplicador de spray, que tem pressão suficiente para que o anestésico penetre a pele e cause o adormecimento necessário durante o procedimento.

Já o também urologista Charles Rosenblatt indica a sedação para os pacientes mais “medrosos”, que não suportam a anestesia local. Nesse caso, o paciente fica inconsciente durante a cirurgia e acorda depois de uma hora.
 
Com e sem bisturi
A cirurgia pode ser feita também com ou sem bisturi. Rosenblatt explica que, no primeiro caso, são feitos dois pequenos cortes - um de cada lado - no saco escrotal. É feita então a ligadura, corte dos canais deferentes e amarração das pontas. A pele é fechada com um ou dois pontos de fio absorvível (não precisa voltar na clínica para tirar os pontos). O procedimento leva cerca de 20 minutos.

Já a intervenção sem bisturi, realizada pelo Bertero, consiste em apenas fazer uma punção (penetração através de uma pequena cavidade) com uma pinça especial pontiaguda na pele escrotal anestesiada previamente. Depois, é só dissecar o duto deferente. “O canal deferente é separado dos vasos sanguíneos e então pode ser cortado e clipado com clip especial de titânio. Não há necessidade de pontos cirúrgicos. Também não é necessário realizar pontos na pele.”

Recuperação
O paciente fica liberado para voltar para casa logo depois da cirurgia. No entanto, o repouso de 48 horas é recomendado. Segundo o urologista Rosenblatt, muitos escolhem fazer o procedimento na sexta-feira para passarem o fim de semana em repouso e poderem voltar ao trabalho na segunda. É recomendado que se tome um analgésico e coloque-se uma bolsa de gelo na região, que fica dolorida. Atividades físicas só depois de três semanas; e sexo depois de uma semana.

A prevenção contra gravidez deve continuar por pelo menos vinte relações. E o paciente deve voltar à clínica para realizar um espermograma, exame que analisa o sêmen.

Riscos
Infecções, hematomas ou epididimite (inflamação no epidídimo, parte dos testículos de onde saem os canais deferentes) são possíveis efeitos colaterais da cirurgia. Mas não é nada que seja motivo de desespero. Os médicos garantem que são raras. No pior cenário possível, um grande hematoma, que não se curou sozinho, pode precisar de intervenção cirúrgica. 

Quem pode?
De acordo com a lei 9.623, de agosto de 1997, apenas homens com mais de 25 anos ou com mais de 18 que já tenham dois filhos podem fazer a esterilização. Casos em que a gestação da parceira pode por em risco a vida da mulher a cirurgia também é permitida.

Reversão
A reversão é possível, mas os médicos avisam que quanto mais tempo demora-se para reverter, as chances de voltar a ser fértil diminuem. O urologista Rosenblatt explica que os testículos continuam a produzir espermatozoides. Porém, como eles não são mais liberados juntos ao sêmen, eles passam a ser absorvidos pelo corpo, que os vê como inimigos e cria anticorpos.

Segundo dados da Comunidade Urológica dos Estados Unidos, os espermatozoides voltam  a ser ejaculados em 97% dos casos em que a cirurgia de reversão foi feita em até três anos após a vasectomia; entre três e oito anos depois da cirurgia, as chances de voltar a ser fértil diminuem para 88% e continua a diminuir progressivamente conforme o tempo passa.
Mito
O principal mito relacionado à vasectomia é o da perda da virilidade, mas os médicos observam que essa concepção tem perdido força, especialmente porque muitas vezes são outros homens que já fizeram a cirurgia que indicam o procedimento aos amigos. Então, se esse for o seu medo, relaxa.  A única mudança que ocorre fisicamente é na composição do que passa a ser liberado na ejaculação. Os espermatozoides são menos de 5% da composição do sêmen, ou seja, não há mudança perceptível na quantidade de líquido ejaculado. Você não vai gozar menos.

E não é só isso. Segundo a tese de mestrado do Eduardo Bertero, a maioria dos homens melhorou seu desempenho sexual depois de fazer a esterilização, já que eles passaram a fazer sexo sem se preocuparem com uma possível gravidez.