Sexo durante a gestação: é possível? A gestação pode acabar deixando o sexo em segundo plano, mas saiba que não precisa ser assim gplus
   

Sexo durante a gestação: é possível?

A gestação pode acabar deixando o sexo em segundo plano, mas saiba que não precisa ser assim

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Dizem que a vida sexual de um casal é um dos primeiros pontos afetados na relação após a descoberta da gravidez. Em uma mistura de hormônios, questões físicas e emocionais, muitas vezes o sexo acaba ficando para escanteio (ou pior, vai para o banco de reserva). Porém, futuro papai, saiba que não precisa ser assim.

Geralmente, caso não existam problemas diagnosticados, como sangramentos, contrações fortes e risco de parto prematuro, as relações sexuais podem ser realizadas normalmente durante toda a gestação. E se você é daqueles que recusam sexo neste período com medo de machucar o bebê, esqueça a ideia: eles ficam bem protegidos pelo líquido amniótico e, a menos que o ato sexual seja extremamente bruto, não há chances de machucar o bebê.

Mudanças na libido durante uma gestação também costumam afetar tanto os homens quanto as mulheres. No caso das mamães, é normal que percam um pouco do desejo sexual no primeiro trimestre, por conta das mudanças hormonais que são bem significativas. Em compensação, no segundo trimestre, esse desejo já se estabiliza justamente porque a mulher já está mais “dona de si”. E por fim, no terceiro trimestre, a tendência é cair novamente devido à ansiedade pelo nascimento do bebê. 

Nos homens, o desejo pode ser despertado ou reduzido. Muitos papais sentem uma conexão especial com suas parceiras, e essa proximidade é, em muitos casos, manifestada através do sexo, o que é bom para a relação. Outros, no entanto, sentem um menor desejo sexual, já que o corpo da mulher se torna menos divertido e atraente. 

Para driblar a falta de desejo, em alguns casos, a sexóloga Carla Cecarello afirma que ser presente durante todo o período gestacional da mulher, ajuda a manter a relação mais interessante. “Quanto mais próximo o homem for da parceira durante a gestação, mais ela terá desejo em relação a ele - e vice-versa. Então isso é o canal principal que precisa ser trabalho na relação”, comenta.

Segundo Carla, infelizmente, ainda existem homens que nem querem transar com a mulher nesse período, pelo simples fato de começar a ver a mulher mais como mãe do que propriamente como mulher. “Às vezes a queda de desejo parte do homem e não da companheira. Nesse caso, isso será prejudicial para a relação. O casal precisa estar bem antenado de que eles serão pai e mãe de um bebê e não um do outro, e a mulher quando tem um homem desse tipo se sente automaticamente muito sozinha e sobrecarregada de responsabilidades”, alerta a profissional. 

É claro que durante esse período o sexo não poderá ser tão intenso quanto antes, porque a mulher não tem muita agilidade nesse período. Entretanto, pode ser uma experiência positiva desde que o casal esteja disposto a tentar. “É preciso estar muito bem definido de que eles [o casal] serão mãe e pai, além de estar cientes de que isso não afeta em nada a relação de amantes. Por isso, o sexo pode e deve continuar normalmente”, recomenda a sexóloga.

Para que o sexo seja prazeroso e seguro nesta nova fase, é importante também que o casal procure por posições que não prejudiquem a mulher ou causem desconforto. “A posição sexual precisa mudar de acordo com o tamanho da barriga da mulher. Conforme a barriga vai crescendo já não é mais qualquer posição sexual que a mulher se sente confortável”, comenta Carla. Os ginecologistas costumam recomendar a posição de lado, em que a mulher pode ter a ajuda de um travesseiro para apoiar a barriga e consegue melhor controlar a penetração. Posições como “papai e mamãe” ou por cima do companheiro devem ser evitadas nos meses finais da gestação. 

“O homem não tem noção das mudanças e alterações hormonais que são produzidas quando a mulher está grávida. Por isso, o ideal é que o parceiro tenha paciência, consciência e bom senso da situação. Ele precisa auxiliá-la estando próximo e participando desse processo gestacional de uma forma bastante carinhosa, isto é, indo às consultas e ultrassons com a mulher, por exemplo. Tudo isso vai fazer com que ela fique bem próxima dele, o que vai auxiliar a retomada da vida sexual o quanto antes”, comenta Carla. 

A profissional ainda lembra que é importante, ao longo de todo o período, que o casal se informe sobre o assunto com médicos especialistas e procure conversar entre si para evitar desentendimentos e frustrações desnecessárias. “Quanto mais distante o homem estiver da mulher, mais tempo ela vai demorar a retomar o desejo sexual”, afirma.


Após o nascimento do bebê, a mulher deve ficar aproximadamente 40 dias sem ter relações sexuais, valendo tanto para parto normal como cesárea. Antes disso, o sexo é desaconselhado porque o corpo ainda não se recuperou, o útero está voltando ao seu tamanho normal e há risco de infecção. Sem contar que a produção do hormônio prolactina, que favorece a produção do leite, diminui a libido e a lubrificação vaginal.

“O corpo precisa de um tempo para voltar ao seu estado natural. Com a retirada da placenta a mulher perde o desejo sexual, então é um período que ela precisa de tempo para recuperar”, afirma Carla. “Além disso, é importantíssimo esperar pelo período mínimo de 40 dias para não correr o risco de forçar a musculatura ou até mesmo engravidar novamente”, recomenda.