Por que ler Charles Bukowski (e por quais livros começar) Conhecido como "velho safado", o autor que deu voz a uma geração perdida permanece atual mais de 20 anos após sua morte gplus
   

Por que ler Charles Bukowski (e por quais livros começar)

Conhecido como "velho safado", o autor que deu voz a uma geração perdida permanece atual mais de 20 anos após sua morte

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Meu primeiro contato com Charles Bukowski aconteceu há alguns anos, quando li, em uma rede social, uma de suas frases, concebida para um de seus poemas: "Onde quer que as massas forem, vá para o outro lado". Assim, simples e incisivas, aquelas palavras me marcaram. 

Logo, já buscava saber mais sobre quem teria sido seu autor. Descobri que Bukowski havia sido um escritor "fora dos padrões" de sua época e polêmico até hoje - os melhores são sempre esses, arrisco dizer - e, para minha tristeza, estava morto havia mais de 20 anos, em decorrência de uma pneumonia.


Não desanimei: fascinado pela minha "descoberta" de um novo autor, decidi explorar o melhor que seu legado literário tinha a oferecer. Assim, cheguei a obras como "Cartas na Rua","Hollywood", "Mulheres" e outras que indicarei mais para frente. Até hoje, leio e releio Bukowski e, a seguir, direi por que acho que você deveria fazer o mesmo.

Neste ponto, vale uma rápida introdução: Henry Charles Bukowski Jr. nasceu em 1920, na Alemanha, e logo se mudou com sua família para os Estados Unidos. Antes de se tornar o poeta, contista e romancista, "Buk", como era chamado, trabalhou em empregos temporários em várias cidades americanas como faxineiro, frentista e motorista de caminhão. Seu último emprego, como carteiro, serviu de pontapé para seu primeiro romance, "Cartas na Rua".

Mas afinal, por que este "velho safado, bêbado, preguiçoso, mulherengo e imprevisível", como assim se definia, entre tantos outros autores geniais de sua época - Bukowski foi contemporâneo de grandes nomes da literatura americana como Henry Miller, John Fante e Hunter S. Thompson - merece tanto destaque? Ora, justamente porque sua obra, semi-autobiográfica, fascinou toda uma geração que buscava por algo com o que se identificar.

Mais característico do que os temas que abordava em suas obras - a pobreza, problemas com álcool, a jogatina, a depravação sexual, corridas de cavalos, os relacionamentos vazios, os trabalhos braçais - era a forma com que Bukowski o fazia: como um soco no estômago. Sua escrita, completamente coloquial, é marcada do início ao fim por obscenidades, humor negro e um tom grave de pessimismo.

Isso não é surpresa alguma quando se entende quais foram os principais influenciadores literários de Bukowski durante sua vida e carreira: Fiódor Dostoiévski, de onde Buk tirou o pessimismo exaltado; e Ernest Hemingway, dono de uma prosa simples e curta que seria adotada também no estilo de Bukowski.

Apesar de ser muito associado ao grupo Beat - movimento de jovens que pregava uma vida de drogas, álcool, sexo livre e jazz, e  que teve em Jack Kerouac e em seu livro, "On The Road", seus principais símbolos -, Bukowski jamais vestiu a camisa ou teve muito contato com outros autores do gênero, apesar de sua obra carregar sua principal característica: a sujeira, a marginalidade.

Para quem, assim como eu, deseja entrar de cabeça no mundo do "velho safado" e conhecer o melhor (ou pior) que ele tem a nos oferecer, indicamos abaixo algumas obras de Charles Bukowski que todo homem deveria ler: 

"CARTAS NA RUA" (Compre aqui)

Cartas na Rua é o primeiro livro a apresentar Henry Chinaski, alter ego de Bukowski e protagonista de cinco dos seus seis romances. Autobiográfico, trata do período em que o escritor trabalhou nos correios e de como o sistema massacrou sua vida, moral e saúde. Com um humor sarcástico, soube pegar algo desinteressante (o trabalho de carregar e separar correspondência) e utilizar isso como uma forma de identificação com todo e qualquer leitor que já tenha tido um trabalho do qual não gostava. (Via Skoob)

"MULHERES" (Compre aqui)

"Mulheres", publicado em 1978, descreve a vida de Henry Chinaski "alcoólico que se tornou escritor para poder ficar na cama até ao meio-dia": as bebedeiras, as ressacas permanentes, os vômitos, as corridas de cavalo, as leituras nas universidades, as festas, as cartas de admiradoras, as esperas no aeroporto, os encontros sexuais, os dias seguintes, as rupturas, as reconciliações. Mais cerveja, mais sexo, mais mulheres. (Via Skoob)

"MISTO-QUENTE" (Compre aqui)

O que pode ser pior do que crescer nos Estados Unidos da recessão pós-1929? Ser pobre, de origem alemã, ter muitas espinhas, um pai autoritário beirando a psicopatia, uma mãe passiva e ignorante, nenhuma namorada e, pela frente, apenas a perspectiva de servir de mão-de-obra barata em um mundo cada vez menos propício às pessoas sensíveis e problemáticas. Esta é a história de Henry Chinaski, o protagonista deste romance que é sem dúvida uma das obras mais comoventes e mais lidas de Charles Bukowski. (Via Skoob)

"O AMOR É UM CÃO DOS DIABOS" (Compre aqui)

Nesta coletânea que reúne poemas de 1974 a 1977, Bukowski reflete uma série de experiências próprias, objetos, lugares e pessoas (principalmente mulheres) que conheceu e esmiúça um mundo marginal, no qual o amor é regado a bebida e drogas e não obedece a regra alguma. (Via Skoob)

"CRÔNICA DE UM AMOR LOUCO" (Compre aqui)

Crônica de um Amor Louco é o primeiro dos dois volumes da obra Ereções, Ejaculações e Exibicionismos, do genial escritor Charles Bukowski. Uma jornada pelo universo infernal e onírico do velho e safado Buk - seus personagens desvalidos, seus quartos imundos em hotéis baratos, seus bares enfumaçados na longa louca noite de neon: o sonho americano reduzido a trapos nas ruas desertas da madrugada voraz de Los Angeles, a cidade que Bukowski amava acima de todas as coisas. (Via Skoob)

 


Luis Carvalho