Conheça o trabalho de José Padilha, diretor brasileiro em Hollywood O carioca produziu para o maior mercado do cinema, mas não se empolga: "Hollywood é um bairro" gplus
   

Conheça o trabalho de José Padilha, diretor brasileiro em Hollywood

O carioca produziu para o maior mercado do cinema, mas não se empolga: "Hollywood é um bairro"

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A capital do cinema não parece ser motivo de deslumbre na vida e carreira do diretor carioca José Padilha. De acordo com ele, em entrevista à VIP, o famoso distrito de Los Angeles é superestimado e talvez não seja mais o centro das produções cinematográficas.

"Já não sei exatamente o que é Hollywood. Antigamente as pessoas pensavam nos estúdios, na Warner, na Universal. Hoje em dia, o audiovisual está completamente diferente, você pode fazer um filme, colocar no YouTube e ter 8 milhões de views", diz à revista.

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O cineasta trabalhou para Hollywood em 2014, no mais recente lançamento de RoboCop. A bilheteria da produção norte-americana atingiu cerca de 220 milhões de dólares, mas para o diretor, a cidade da cinematografia está em declínio. Para exemplificar, compara a repercussão de RoboCop com Narcos, série dramática de sucesso da Netflix - em que também dirigiu.

José Padilha, de 51 anos, já está no mundo do cinema desde os anos 1990. É conhecido pelo caráter documental que insere em seus trabalhos, tanto os factuais como os de ficção. Em 1999 foi roteirista do premiado Os Carvoeiros - documentário que mostra a vida de pessoas que trabalham com carvão vegetal. 

Em 2002, Padilha dirigiu outra obra documental, Ônibus 174, e ganhou ainda mais projeção ao produzir um dos maiores filmes do cinema brasileiro: Tropa de Elite, de 2007; a película venceu o prêmio Urso de Ouro no Festival de Berlim no ano seguinte ao lançamento. As obras da carreira, no entanto, trouxeram alguns problemas para a vida do diretor carioca. Padilha diz ter recebido ameaças pelo filme que retrata a corrupção policial no Rio de Janeiro e até sido processado algumas vezes. 

"A gente foi processado por vários policiais por causa do 'Tropa de Elite 2' e ganhamos todas as ações e os caras tiveram que pagar os custos advocatícios", contou certa vez em entrevista à revista Trip. Por essa e outras razões, o diretor atualmente mora com a família nos Estados Unidos.

NETFLIX E PRODUÇÃO BRASILEIRA
O lançamento de sucesso mais recente de Padilha foi a série O Mecanismo, original do serviço de streaming estadunidense e lançada este ano. O enredo é inspirado livremente em um dos maiores trabalhos policiais da história brasileira, a Operação Lava-Jato. De acordo com anúncio da Netflix, a série está entre as mais assistidas dentre as produções nacionais, apesar das controvérsias geradas por parte do público brasileiro.

José Padilha tem mais projetos para produções que envolvem o Brasil, mas em entrevista à Folha de São Paulo, o diretor ressaltou as dificuldades que o mercado nacional enfrenta. "Tudo indica que vou fazer mais audiovisual sobre o Brasil nos próximos três, quatro anos do que fiz em toda minha vida. Todos projetos financiados por empresas americanas e exibidos no mundo inteiro, o que nunca conseguiria no Brasil." 

Enquanto novas produções não são anunciadas por aqui, confira algumas obras da carreira do cineasta, desde documentários até ficção, que corroboraram para o sucesso de um dos brasileiros mais consolidados no cenário do cinema internacional.


OS CARVOEIROS
O documentário foi dirigido por Nigel Noble, mas roteirizado por José Padilha. A obra retrata a vida de famílias que ganham a vida na produção de carvão vegetal e o impacto que essa atividade gera na vida desses trabalhadores. O lançamento de 1999 tem duração de aproximadamente uma hora, com grande destaque para sua fotografia.

ÔNIBUS 174
Em 2000, um ex-menino de rua chamado Sandro Nascimento sequestrou um coletivo no estado do Rio de Janeiro. Os longos momentos de tensão terminaram com a morte de uma refém, e o sequestrador morre dentro de uma viatura policial. Com direção de Padilha, o documentário sobre o crime traz depoimentos com especialistas, que ressaltam o despreparo da polícia no caso, e tenta debater os motivos que levaram Sandro a sequestrar um ônibus no RJ.

TROPA DE ELITE (DOIS MARCOS)
O primeiro filme sobre a corrupção dentro do sistema policial e o trabalho para montar um esquema de segurança para a visita do Papa ao Rio de Janeiro foi um sucesso, talvez o maior até agora na carreira de José Padilha. A obra quase foi escolhida para concorrer ao Oscar e venceu o principal prêmio do Festival de Berlim, em 2008. 

Tropa de Elite 2 foi lançado em 2010, três anos após a chegado do primeiro às telonas. Com foco na ligação entre tráfico e políticos, a segunda película consolida a ideia de Padilha em abordar as mazelas da segurança pública.

GARAPA
O documentário de 2009 tem como tema a fome; o filme mostra a vida das famílias que constituem um Brasil faminto, desigual. Durante quatro semanas, a equipe de produção gravou o cotidiano desses brasileiros esquecidos; em preto e branco, a obra de quase duas horas de duração é a primeira depois do sucesso de Padilha em Tropa de Elite.

ROBOCOP
O mais recente filme do RoboCop, de 2014, é a mão de José Padilha em Hollywood. Com um elenco renomado, com atores como Samuel L. Jackson e Michael Keaton, o longa trouxe retorno financeiro para os produtores, apesar da repercussão não ter sido como esperada por boa parte da crítica. De acordo com o diretor brasileiro, o filme "ganhou dinheiro - não ganhou muito, mas também não perdeu".

NARCOS
Com a primeira temporada lançada em 2015, uma das maiores séries já produzidas pela Netflix conta a história do mais famoso traficante de drogas colombiano, Pablo Escobar, além de sua relação com a política e a sociedade. Após sua morte, a produção passou a retratar o poderio de diferentes cartéis em terras colombianas, mesmo após a morte de "El Patrón", o que é um dos pontos altos da série: a capacidade de manter o alto nível mesmo após o fim do maior "apelativo" da obra. Narcos foi renovada para a quarta temporada e tem previsão de estreia para este ano.

 


Rudiney Freitas