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Em carta aberta, Gisele Itié diz que sofreu abuso sexual

11/01/2017 00:00

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Giselle Itié publicou um relato no site da revista Glamour na terça-feira, dia 10, em que revela que foi estuprada aos 17 anos. Ela contou detalhes do ocorrido, que aconteceu quando ainda era virgem, e afirmou que as mulheres precisam se unir contra esse tipo de situação. "Hoje, tenho consciência de todas as situações violentas pelas quais passei simplesmente por ser mulher", escreveu.

Na carta, Giselle detalha o estupro, que sofreu do próprio namorado quando tinha 17 anos. "Fui estuprada pelo último homem que eu poderia imaginar (…) Acordei. Olhei para o lado e lá estava ele, dormindo (…) O chão forrado de garrafas vazias. Eu forrada de amnésia. Foi difícil sentar. Então vi o que eu já imaginava. Perdi a virgindade. Me perdi (…) O que aconteceu? Notei meu corpo machucado, roxo, mordido. Não conseguia pensar nem chorar", relatou.

A atriz abriu o coração sobre os impactos que o episódio causou em sua vida: "Eu? Eu me sentia oca. Sentia tanto quanto não sentia nada. Passei a me vestir com as roupas do meu pai (Freud explica), queria sumir".

O texto termina com um pedido de Giselle para que as mulheres se unam, a fim de acabar com a desigualdade de gênero. "Estamos (sobre)vivendo na cultura do estupro. A cada 12 segundos uma mulher sofre violência no Brasil. Ou seja, todo movimento é importante para chegarmos mais perto do fim da desigualdade de gênero. Foi duro escrever este texto, mas isso me fortaleceu ainda mais. Meninas, precisamos nos unir!", concluiu. 


Leia a carta na íntegra:

"Era uma vez uma menina nascida em uma família amorosa, unida e machista: eu. Quando pequena, meus ídolos eram a Mafalda, a menina inconformada que levantou a bandeira da justiça, da paz e da igualdade, e o Hulk, o monstro humanoide que na sua essência queria paz e harmonia, ainda que de uma forma agressiva. Quanto mais bravo, mais forte ele ficava. Mas o tempo foi passando e, de Mafalda e Hulk, passei a gostar das princesas encantadas de Walt Disney, lindas com seus vestidos à espera do príncipe para o 'felizes para sempre'. Na minha época, não existia Frozen. Pena.

A educação machista foi me moldando: 'Menina de família não dança desse jeito!'; 'Feche as pernas, endireite as costas! Isso não é jeito de menina sentar'. Seguia essa educação, mas a questionava. Pedia para fazer teatro, mas ser atriz não era para uma mocinha de família como eu. Cheguei a morar no México com meus tios para estudar teatro sem que meus pais soubessem. Eu era uma princesa rebelde, mas minhas primas mexicanas me ensinavam a ser uma menina para casar: beijar o namorado só depois de sete meses juntos (oi?!). Imaginava como seria minha primeira vez: de branco, no colo do marido, o quarto cheio de flores e à luz de velas...

O galã e a virgenzinha

Quando tinha 17 anos, deixei de lado o sonho de ser atriz. Estava me preparando para entrar na faculdade de jornalismo e namorava um cara 15 anos mais velho. No início, meus pais surtaram, mas, com tempo, o X passou a fazer parte da família. Meu príncipe era um cara extrovertido, romântico, galã de comerciais. Em dois anos iríamos nos casar. Além disso, respeitava minha virgindade e minha vontade de casar assim.

A gente quase se esmagava de tanta paixão. Às vezes eu ficava assustada e pedia para parar. Às vezes ele parava e às vezes não. Às vezes eu era mais severa. Mas também entendia como era difícil para ele, mais velho, esperar o tempo da 'virgenz