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Maia se diz leal a Temer, mas começa a agir pensando no futuro

17/07/2017 00:00

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Com um horizonte de desgastes do presidente Michel Temer a perder de vista, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) está a cada dia emitindo mais sinais de que está se preparando para o caso de assumir a presidência da República – seja temporariamente, em caso de afastamento de Temer, ou mesmo em um mandato-tampão, até o fim de 2018 – neste caso se for eleito numa eleição indireta, depois de uma eventual perda de mandato do presidente.

Primeiro na linha sucessória, o presidente da Câmara tem adotado uma postura de dar um caráter institucional à crise e, como consequência, adotado um distanciamento – o que lhe dá a vantagem adicional de ficar mais à vontade para pensar no futuro.

Antes comuns, os encontros com Temer rarearam desde 19 de junho, data em que a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) por corrupção passiva contra o presidente chegou à Câmara. Maia tem evitado tocar no assunto publicamente e, nos bastidores, tem evitado movimentos bruscos para não desagradar Temer, a quem tem gratidão pelo trabalho para conseguir a reeleição à presidência da Câmara – que assumiu após uma outra defenestração, a de Eduardo Cunha, cassado, hoje preso.

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O governo apenas monitora os movimentos de Maia, sempre alegando não acreditar que o deputado faça algo por deslealdade ou tentativa de derrubar Temer.

A prudência, porém, nem sempre tem gerado êxito. O Palácio do Planalto apostava em unificação das possíveis três denúncias contra Temer, num processo mais arrastado. Ao colocar a primeira denúncia em marcha na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e aceitar colocá-la em votação imediatamente, Maia foi acusado de servir ao desejo do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de fazer acusações a conta-gotas, prorrogando o desgaste do governo – as denúncias de obstrução de Justiça e prevaricação devem chegar em agosto.

Os planos

Maia tenta mostrar cacife para ser alçado à cadeira mais importante da política brasileira e já faz acenos que podem favorecer sua estratégia.

No meio econômico, sinalizou que, caso assuma, manterá a equipe econômica, com  Dyogo Oliveira (Planejamento) e Henrique Meirelles (Fazenda), embora tenha uma preferência pelo economista Armínio Fraga. Ato contínuo,  mantém o compromisso de aprovar a reforma da Previdência, mesmo que fatiada e restrita à implantação da idade mínima, uma ideia que pode agradar os oposicionistas.

Trunfos de Maia

A capacidade de diálogo com a oposição é uma habilidade impossível para a equipe de Temer, pelas circunstâncias da chegada ao poder do presidente e de seu grupo.


A demonstração de força, porém, é a aposta de vitória numa eleição indireta, caso Temer seja afastado definitivamente &ndash