Menos sono, menos sexo

Apneia do sono atinge 24% dos homens na fase adulta e pode causar disfunção erétil

Cansaço, falta de concentração no trabalho e dificuldade em resolver as tarefas cotidianas. Essas são apenas algumas das características que afetam as pessoas que sofrem de doenças do sono.

Uma das mais graves é a apneia obstrutiva do sono, que ocorre quando os músculos da garganta relaxam e bloqueiam totalmente a passagem, impedindo que o ar entre nos pulmões.

“A apneia pode ser definida como uma pequena parada respiratória, com períodos de dez segundos ou mais, e que pode trazer consequências sérias para a saúde”, explica Monica Andersen do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo.

Segundo a Associação Brasileira do Sono, cerca de 24% dos homens acima dos 30 anos apresentam apneias, contra 15% das mulheres após os 45. Os sintomas mais comuns são hipertensão, ronco, irritabilidade, mudança de humor, ansiedade, sonolência diurna, falha de memória e concentração, dores de cabeça, engasgos durante o sono e disfunção erétil.

É, pouca gente sabe, mas disfunção erétil é um dos problemas que podem ser causados pela apneia. 

O Centro de Estudos do Sono detectou que 17% dos homens da cidade de São Paulo se queixaram de disfunção erétil. Na faixa etária entre 20 e 29 anos, 7% dos homens disseram ter o problema. Acima de 60 anos, a reclamação subiu para 60%. O levantamento revelou que homens que acordavam muito durante a noite eram os que mais reclamavam do problema.

“Na minha pesquisa com ratos observei que uma privação de sono pontual provoca uma excitação sexual nos machos. Isso ocorre na privação de sono REM [sigla em inglês para “movimentos oculares rápidos”], quando ocorrem os sonhos. No entanto, apesar de apresentarem desejo, pois os ratos chegam a montar na fêmea, eles não conseguem fazer a penetração. Em outras palavras, eles têm desejo, mas não têm a função erétil adequada”, explica Monica Andersen.

Caso você tenha mais de três sintomas causados pela apneia é hora de procurar ajuda. Para o problema ser identificado, o primeiro passo é fazer uma polissonografia, que avalia as diversas fases do sono. Caso detectem o distúrbio, o tratamento, que pode ser o uso de uma placa intraoral, é recomendado.

A especialista explica que esse tipo de placa leva a mandíbula para frente e, gradativamente, move as estruturas da garganta. Isso deixa a passagem de ar desbloqueada, mesmo em fases de maior relaxamento, como acontece durante o sono.

De acordo com Universidade Western Reserve, nos Estados Unidos, a apneia do sono triplica os riscos de derrame em homens acima dos 40 anos que não tinham histórico de acidente vascular cerebral. 

Mas o que causa apneia?

Qualquer fenômeno que provoque estreitamento ou oclusão da passagem de ar pelas vias aéreas superiores pode causar apneia: obesidade, crescimento das amígdalas, malformações da mandíbula ou da faringe, hipertrofia da língua (como ocorre na síndrome de Down), tumores, hipotonia dos músculos da faringe ou falta de coordenação dos músculos respiratórios.