Quando Rita de Cássia Coutinho apareceu na histórica Discoteca do Chacrinha em 1974, poucos dos quarentões de hoje sabiam na época que ela havia estudado balé clássico no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e vencido obstáculos que fariam muitos marmanjos molharem a cueca. Rita Cadillac, cujo apelido recebeu de um amigo italiano por este a achar parecida com a rainha francesa do strip-tease, não conheceu seus pais e se casou virgem aos 15 anos.
Fã de Bertha Rosanova, Rita teve um filho com seu primeiro marido e se separou dois anos depois. Antes de conhecer o Chacrinha, a mãe solteira sem família para contar foi despejada de casa e sabia apenas dançar quando seu ex foi preso. Rita Cadillac se prostituiu por quase um ano até conhecer o escritor e produtor Haroldo Costa, que a levou para o exterior e a fez chamar a atenção de Chacrinha.
Apesar da atenção que lhe era dedicada pelo apresentador, Rita garante que o relacionamento entre eles era de "patrão-funcionária e pai-filha". Pré-cursora do "negócio" de mostrar a bunda para ganhar dinheiro, a dançarina nunca sentiu inveja ou ciúme por parte das outras chacretes. "Ele [Chacrinha] dava atenção para todas e não tinha proteção ou atenção em especial", revela a musa dos caminhoneiros e presidiários.
A rainha dos encarcerados reforçou seu reconhecimento internacional em 2003, ao participar do elenco do filme Carandiru, dirigido por Hector Babenco, onde atuou seu próprio personagem. Além disso, nem a música passou despercebida por Rita, que lançou cinco álbuns desde que era chacrete. Com o sucesso de Gretchen nos anos 80, Rita e outras chacretes, como Fernanda Terremoto e Sueley Pingo de Ouro, foram convidadas´para gravar canções recheadas de gritinhos e bordões franceses.