Quando assistimos às corridas de carro na televisão costumamos ver as arquibancadas lotadas, muitos homens de uniforme nos boxes, as máquinas recebendo os últimos ajustes antes da largada e os reis do momento: os pilotos. Afinal de contas, são eles que aceleram, eles que recebem o troféu e, principalmente, são eles que vivem rodeados de gostosas que insistem em protegê-los do sol com suas sombrinhas.
Mas a realidade é muito mais interessante. Raul Boesel, nome ouvido na voz de inúmeros locutores nos anos 80 e 90, recebeu o AreaH na sala de seu confortável apartamento, localizado num luxuoso condomínio paulistano. Sorridente e jovial, ele não hesitou revelar quais carros mantém em sua garagem, aqueles que fazem parte de sua rotina, da vida e dos gostos de um piloto.
Mesmo no subsolo escuro de seu edifício é possível perceber traços metálicos de um veterano de personalidade discreta, serena e audaciosa. Uma Pajero TR4 cobre as necessidades de toda a família, servindo como "pau para toda obra", segundo Boesel. "Não sou ciumento ou escravo de carro. Tenho carro para usar. Faço a manutenção mas não vivo em função dele", desabafa o piloto. A prova disso é que o automóvel não pôde ser fotografado, já que algum membro da família estava desfrutando do conforto do moderno jipe durante a entrevista.
A discreta Perua Audi All Road negra estacionada de forma elegante comprova a exigência de conforto e potência de Boesel na hora de pegar a estrada, mas o carro parado na vaga seguinte denuncia que alí mora um piloto experiente. "A Mercedes E500 é o meu xodó", vibra ele ao contemplar o bólido. Diretor esportivo da Porsche Cup no Brasil e fã das marcas alemãs, o piloto também sabe separar muito bem a carreira de sua vida cotidiana. "Na cidade ando super devagar. Às vezes até meus filhos me chamam a atenção para andar mais rápido", brinca ele.