Desatenção, hiperatividade, impulsividade. Estes sintomas costumam ser muito comuns quando somos crianças, mas não são raros os casos em que estas particularidades de personalidade se tornam frequentes também na vida adulta. Porém, se antigamente não havia uma explicação para a famosa personificação de "capetas em forma de meninos", hoje se tem nome e tratamento para este verdadeiro problema: o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.
Em 2003, uma pesquisa norte-americana estimou que 7,8% de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos já foram alguma vez diagnosticadas como portadores da popular TDAH, tornando-a um dos mais comuns distúrbios neurocomportamentais da infância. O grande problema é ainda mais recentemente, em 2007, os mesmos pesquisadores realizaram esta mesma pesquisa e o número saltou para 9,5%, com grande crescimento dos casos entre adolescentes.
Dados ainda mais preocupantes pelo fato de que poucas pessoas conhecem a TDAH. "As dúvidas sobre a existência da doença são reforçadas pela propagação de informações incorretas, obtidas de fontes não confiáveis, que deixam de lado evidências científicas e a dedicação em longo prazo de especialistas e estudiosos, que visam melhorar a vida de pacientes e familiares”, explica Fábio Barbirato, especialista em TDAH e chefe do Serviço de Psiquiatra Infanto-Juvenil, da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro.
Segundo a ABDA (Associação Brasileira do Déficit de Atenção), a incidência mundial do TDAH no Brasil é em média de 3 a 5% em crianças e em mais da metade dos casos, a doença acompanha o indivíduo na vida adulta, embora os sintomas de inquietude sejam mais brandos.