O vício em pornografia Quando a diversão na internet se torna uma compulsão e passa a atrapalhar a sua vida gplus
   

O vício em pornografia

Quando a diversão na internet se torna uma compulsão e passa a atrapalhar a sua vida

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Todos os dias, milhões de pessoas visitam sites de conteúdo adulto. Segundo ferramenta de análise da web Alexa, quando o assunto é número de visitas, sites pornográficos como Xvideos e Pornhub deixam no chinelo grandes portais de notícias - CNN e BBC, por exemplo. O negócio é bom, e de acordo com a revista The Economist, já existem entre 700 e 800 milhões de páginas na internet dedicadas exclusivamente a material adulto. E esse número não para de crescer.

Mas apesar de ainda ser um tabu, a pornografia pode ser benéfica, como explica a psicóloga e sexóloga, Enylda Motta: “quando é moderado, ele [o consumo de conteúdo pornográfico] faz muito bem tanto para o homem e a mulher, separadamente, quanto para o casal, porque ele estimula a fantasia”. Entretanto, não se deve exagerar nas doses. De acordo com a especialista, o problema está no momento em que a pornografia se torna uma compulsão.

Como em todos os vícios, a dependência e a falta de autocontrole é o que define uma pessoa viciada em pornografia. A psicóloga e sexóloga Margareth dos Reis conta o drama geralmente vivido por quem te esse problema: “A pessoa dependente passa a viver do prazer solitariamente. Então, esse prazer é obtido, em geral, pela masturbação. Mas tudo acontece diante de uma tela e isso cria um abismo que afeta todas as atividades sociais”.

Apesar de ainda não ter ganhado tanto destaque quanto outras compulsões, o vício em pornografia vem se tornando cada vez mais comum. Muitos cientistas acreditam que a internet tem provocado esse aumento. Afinal, não é preciso passar na locadora nem comprar revistas para ver algumas cenas picantes. 

Uma das explicações para o vício em pornografia tem relação com o Efeito Coolidge, um fenômeno que comum em várias espécies de mamíferos. Mesmo com suas satisfações sexuais já saciadas, os animais têm o interesse sexual renovado diante de um(a) novo(a) parceiro(a).  Ou seja, ao entrar em sites pornôs e se deparar com uma quantidade imensa de “novas parceiras”, o cérebro humano também libera superdoses de dopamina para que o bicho homem se “acasale” com todas elas. O problema é que ao sofrer longas exposições às superdoses de dopamina, os sistemas naturais de saciedade são sobrepostos, fazendo com que você queira mais e mais pornografia, como afirma o professor de fisiologia, Gary Wilson em sua palestra ao TED.

Wilson também diz que “essas altas doses de dopamina liberadas pela exposição pornográfica ativa uma chave molecular chamada Delta-FosB, que se acumula no circuito de recompensa do cérebro. Com o consumo crônico de recompensas naturais, esse acúmulo de Delta-FosB começa a alterar o cérebro e a promover o ciclo de compulsão e desespero”.

Mas com tanto prazer à distância de um só clique, como evitar cair no vício da pornografia? Conhecer a si mesmo é muito importante para evitar a dependência. O  autoconhecimento dá a resposta de até que o ponto a pornografia é benéfica para si.  Se você acha que está passando dos limites, então é melhor diminuir o ritmo. Como estar diante de cenas pornográficas faz o nosso cérebro ser estimulado a liberar neurotransmissores que promovem a sensação de prazer,  mudar o foco para outras atividades também prazerosas é muito recomendado para pessoas que pretendem amenizar suas doses de pornografia. 

Agora, para quem já se encontra dependente da pornografia, a solução é mais drástica. Vários fóruns de pessoas que eram viciadas, mas conseguiram parar de consumir pornografia creditam o sucesso da reabilitação ao processo de “reboot cerebral”. 
 
O reboot cerebral é, basicamente, um processo que consiste em reprogramar o sistema de recompensa por meio de um descanso a qualquer estímulo sexual até que as respostas naturais a estes estímulos sejam recuperadas. Ou seja, a única forma de se libertar do vício é parar de sustenta-lo até que, gradualmente, as conexões cerebrais associadas à pornografia e às fantasias sexuais sejam enfraquecidas.