gplus
   

SUS fará transplante de medula para tratar doença falciforme

01/07/2015 00:00

Confira Também

O transplante de medula óssea como opção terapêutica para a doença falciforme agora pode ser feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde estima que 25 mil a 50 mil pessoas tenham a doença no Brasil, que apresenta alta morbidade e mortalidade precoce.

 

A medida foi publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial da União. A falciforme é uma das doenças hereditárias mais comuns no Brasil, e são aproximadamente 3,5 mil novos casos por ano.


A doença deforma o glóbulo vermelho [que carrega o oxigênio no sangue] e causa má circulação do sangue nos pequenos vasos do corpo. Com o transplante, as células doentes são substituídas, evitando expor o paciente aos riscos de transfusões contínuas. Os principais sintomas são lesões nos órgãos atingidos, crises de dor, principalmente nos ossos ou articulações, no tórax, no abdômen, e icterícia. O transplante é a única opção de cura da doença e, para muitos pacientes, a única chance de sobreviver.


O coordenador da Associação de Falciforme de Brasília, Elvis Magalhães, 49 anos, foi o primeiro paciente com doença falciforme transplantado no Brasil, em regime de pesquisa, em 2005. Ele conta que nos 38 anos de internações, até fazer o transplante, todos os amigos com a doença que conheceu no hospital em que se tratou morreram.


“E somente do ano passado, perdemos 170 pessoas que conhecíamos de movimentos sociais pelo país com falciforme. Tenho certeza que muitas delas poderiam ter sido salvas. A inclusão do transplante é uma questão de justiça social para as pessoas com doença falciforme”, declarou.


“No meu caso, foram 38 anos de uma luta enorme. Tinha dores terríveis. Com 13 anos comecei a apresentar úlceras no tornozelo, que demoravam anos a cicatrizar, fazendo curativo todos os dias, tinha ereção involuntária, fazia transfusão de sangue a cada 40 dias”, relatou. “Sofri muito preconceito por causa dos olhos amarelados, confundidos com hepatite. E muita gente com falciforme passa por isso ainda hoje, por não ter a oportunidade do transplante”.


Para Elvis, os transplantes vão gerar enorme economia ao SUS, já que a doença demanda, em muitos casos, internações, consultas, exames frequentes e medicamento contínuo. “Depois que me transplantaram, todos esses gastos deixaram de existir”.


Atualmente, o tratamento no SUS é feito com o uso de vacinação e penicilina nos primeiros cinco anos de vida, como profilaxia às infecções, uso regular de ácido fólico, medicamentos para a dor, uso de hidroxiureia e, em alguns casos, transfusões de sangue de rotina. A maioria dos pacientes consegue tratar os sintomas com a hidroxiureia, mas alguns pacientes não respondem bem a essa terapêutica, como era o caso de Elvis. O medicamento ainda pode levar a uma sobrecarga de ferro no organismo.


O transplante de medula óssea já beneficiava pacientes com doenças oncohematológicas, como linfomas, leucemias e mielomas. Membro da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea, a pesquisadora da USP-Ribeirão Preto, Belinda Simões, acredita que com a inclusão do  tran